sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Será apenas um sonho?

Parado, olhar distante, dividido entre meus fartos pensamentos e o leve e sedutor reflexo da luz solar nas nuvens, movimento do fim da tarde dando lugar ao balé iluminado das estrelas na noite. O show de cores crepusculares dando lugar à noite de gala estrelada. 

Perplexo com tanta beleza e com a alternância entre dia e noite e a forma dialógica como estes opostos se encontram para fazer acontecer vida, vida no sentido natural, vida no sentido estético, vida no sentido poético, filosófico...

Perdido em tantos pensamentos e possibilidades, já em estado de êxtase contemplativo, quando diante dos meus olhos surge a tua silhueta delicada e de movimentos graciosos. Quanta beleza! 

Por um instante pensei estar diante de um solo de uma das divas do ballet, mas não, era você! Meu coração disparou, pensei, só pode ser uma miragem, um delírio da minha mente fértil e carente, um sonho que talvez nunca tenha sido sonhado. Um sonho! Não pode ser!

Sai ao teu encontro como um louco quando percebi que flutuava, não tinha o chão nos pés, me senti como uma bexiga inerte no ar entregue ao vento. Não consegui mais andar. Entrei em pânico. Despertei. 

Será mesmo um sonho? Fechei os olhos, respirei fundo e lá estava você de novo. Você veio em minha direção – o corpo humano é impróprio para sentir estas sensações, tive a impressão de que iria explodir diante de sentimentos plenos e desconhecidos, o corpo meio que entra em colapso e a mente precisa estar concentrada e leve para desfrutar cada instante. – foram alguns segundos, mas suficiente para que eu me fizesse mil perguntas e me encantasse com cada movimento teu, naquele instante tudo era música, poesia, festa...

Minha mente estava em êxtase, mas só tinha uma coisa que ainda me perturbava. Quem é você? Como entras no meu sonho desse jeito? Se é que isto é um sonho, não sei! Mostre-me teu rosto! E por segundos esqueci as perguntas e fui tomado pelo desejo, desejo de tê-la para mim, Ah! Como é triste o desejo, só desejamos o que não temos e os momentos até o encontro são de dúvidas novamente. 

Estarei eu após este tão sonhado momento insatisfeito com ela de modo que continuarei desejando o que não tenho? Ou me contentarei em regalar-me nos teus braços cada instante da minha vida, gozando da plenitude do teu ser, esquecerei os desejos vulgares e meu único desejo será estar com ela?

Quando enfim ela se aproxima, toca minha face com sua mão delicada e macia. Consigo ouvir sua respiração. Estou num estado meio letárgico; ao mesmo tempo em que a sinto e tenho algumas certezas como num sonho não consigo ver sua face, ainda resta um raio de sol no horizonte por onde ela esconde sua identidade, o que mais desejo ver, seu rosto. 

Ela se aproxima mais para me beijar a face e eu na tentativa de identificar seu rosto até que o último raio de sol se esconde no horizonte, eis a minha chance de vê-la. Ela beija meu rosto e eu desperto deitado na beira do mar com as ondas lavando meus pés. Fico intrigado com esse sonho tão real até que uma onda maior vem sobre mim e me acordo sentado numa praça todo molhado de chuva. Mas e aquela mulher, quem era? Não sei!

Emmanoel Jetro

Ps. Esse texto ganhei de presente do meu amigo Jetro. Faz algum tempo que ele me deu, mas só hoje consegui publicar. Espero que gostem.

7 comentários:

  1. Nossa! Que coisa linda! Seu amigo escreve muiito bem! Parabéns pra ele.

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  2. Um delícia de texto! Meus olhos correram na leitura no embalo do balé e no desejo de descobrir quem desperta tais emoções.

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  3. Opa, que bom que suas leitoras gostaram!!! rsrs
    Obrigado pelo espaço Cris!!
    Beijão!

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    1. Hahaha. Aprovadíssimo Jetro. Todas as minhas amigas gostaram. Até as que não escreveram aqui =)

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  4. Muito perfeito! Parabéns!

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