sexta-feira, 23 de maio de 2014

Há uma palavra que anda esquecida

 
Há uma palavra que anda esquecida. Sua substância caiu em desuso.

É que parte da humanidade se presume tão poderosa que a despreza e outra parte se enfraqueceu tanto que não consegue pronunciá-la.

Pode parecer fácil viver como se esse recurso, em verdade uma virtude, não fosse real. Apenas porque é tão sutil que escapa a mesurações.

Não se impõe nem oferece vantagens. Mas presta grande ajuda a quem lhe dá crédito. Então alenta e transforma.

Não por acaso está fora de moda. Se propõe precisamente a entrega quando o mundo egocêntrico proclama o controle. E por isso soa ridícula entre tantos.

Pode ser resgatada na música, na literatura e em todas as artes. Mas também no silêncio. Reside na amizade, no afeto e no contato com a natureza. Palpita discretamente no inverno, celebra no verão. Está também na mente e no coração e sobretudo na consciência.

Quem a conhece lhe tem gratidão profunda. Pois quando tudo parece triste e perdido, a simples evocação do seu nome faz pulsar sua existência, amável e generosa. E, como um sorriso que emerge na alma, lá vem ela de novo soprar mais vida. Bem-vinda seja a esperança.

Onides Bonaccorsi Queiroz

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